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Ano 42 - Nº 2117
17 de Abril de 2026
A ginástica rítmica exige habilidades, como flexibilidade, coordenação, equilíbrio, força e expressão corporal, além do domínio de aparelhos, como fita, bola, arco e maça bastão. Fazer parte da seleção brasileira significa integrar um grupo seleto de atletas que se destacam em competições nacionais e internacionais, defendendo o seu país, em torneios importantes, como campeonatos sul-americanos, pan-americanos, mundiais e até jogos olímpicos. Uma atleta de ginástica rítmica de seleção representa o mais alto nível desse esporte. Para se chegar até esse patamar são necessários anos de dedicação intensa, disciplina e muito treinamento, geralmente iniciados na infância. A rotina dessas atletas é bastante exigente, com treinos diários, durante várias horas, além de preparação física, acompanhamento psicológico e cuidados com a alimentação. Como se não bastasse, ainda precisam conciliar essa rotina com os estudos e vida pessoal. Representar o Brasil vai muito além das competições, é carregar o orgulho de todo um país e servir como exemplo dentro e fora das quadras. Afinal, ela se torna inspiração para outras jovens, mostrando que, com esforço e dedicação, é possível alcançar grandes sonhos. Ao saber que uma dessas atletas participou, recentemente, de uma festa de aniversário de uma parente, a reportagem GP correu atrás, para produzir essa entrevista e acabou conseguindo. Trata-se de Lavínia Rocha Silvério, 16, 1M80CM, filha de Fernanda, 45, e Leonardo Silvério, 50, hoje residentes em Nova Lima/MG. Ela falou sobre a sua trajetória de sucesso nesse esporte. Vale a pena ler.
“Comecei a fazer ginástica aos 5 anos de idade, em um clube perto de onde morava, em Belo Horizonte, o Espaço Cultural GRM, no bairro Castelo. Desde pequena, tive uma rotina agitada, fazendo balé e natação. Me identifiquei muito com o esporte, vendo as meninas mais velhas treinando ali, ao meu lado, para as competições. Adorava ficar olhando e foi assim que nasceu a minha paixão e admiração pela ginástica rítmica. Fora isso, desde pequena, sempre tive o sonho de ganhar medalhas, mas alcançar a Seleção Brasileira foi um sonho maior realizado, principalmente por ser tão nova. A miinha 1ª convocação para a seleção aconteceu, quando eu tinha 12 anos, logo após uma seletiva em Aracaju/SE. Quando anunciaram o resultado por lá eu já fiquei e a minha mãe foi enviando as minhas coisas de Belo Horizonte. Sempre pude contar com o apoio da minha família, em toda a minha trajetória. Meus pais sempre estiveram ao meu lado, me apoiando no necessário e investindo na minha carreira. Também tive o apoio dos meus avós e tios, que sempre estiveram presentes, me incentivando e torcendo por mim, ainda que de longe. Quando fui convocada para integrar a seleção de conjuntos, lembro-me que não contive as lágrimas. Foi um momento muito emocionante poder dar início à minha carreira de alto nível. Logo após a convocação, precisei me mudar para Aracaju/SE para os treinamentos. Fui sozinha, mas meus pais me visitavam, todo mês. Morar em Aracaju sem a minha família me tirou da zona de conforto, mas me trouxe resultados muito positivos em relação à minha maturidade, caráter e vida, enquanto pessoa e não apenas atleta da seleção,” relata Lavínia.
FALE DO TREINAMENTO – “Representar o meu país sempre foi uma honra, mas eu também sabia da responsabilidade que carregava. A pressão existia, mas, por estar, desde muito nova, em um esporte de alto rendimento, fui aprendendo, com o tempo, a lidar com ela e a controlá-la. Sempre tive o apoio de profissionais da área, para me auxiliar em todas as fases. Treinava em torno de dois períodos por dia, somando em torno de 8 a 9 horas diárias. Assistia as duas primeiras aulas na escola, das 7H às 8H30, e depois eu já ia direto para o ginásio iniciar o treino. Parava para almoçar e no turno da tarde voltava ao treinamento. À noite, treinava o físico, na academia, e, logo após, recovery e fisioterapia! Na rotina de alto rendimento, precisei abdicar de muitas coisas, para seguir trilhando esse caminho. Durante as competições, é comum e natural que erros aconteçam, porém, com a experiência que fui adquirindo ao longo dos anos, busquei, cada vez mais, a aprender lidar melhor com eles.”
E A FAMÍLIA? - “Morar longe de casa, em outra cidade e estado, foi a parte mais difícil, para mim. Claro que meus amigos e minha família ocupam um lugar muito importante na minha vida. No fim das temporadas, procuro me dedicar mais ao descanso e ao lazer, aproveitando momentos ao lado deles.”
MOMENTOS MARCANTES - “* Um momento da minha carreira que me marcou muito foi à convocação para o Campeonato Mundial Juvenil, no qual fomos finalistas e conquistamos o título de 6º Melhor Conjunto do Mundo. * Os títulos pan-americanos também são muito importantes e hoje sou bicampeã sul-americana, tricampeã pan-americana, campeã brasileira por equipes e campeã Gymnasied em 2025. O mundial foi sediado no Rio de Janeiro/RJ, quando a equipe do Brasil conquistou duas medalhas de prata. As olimpíadas sempre foram também um sonho, desde a minha infância.”
ALGO MAIS? – “Amo crianças e sou muito grata por todo o carinho que recebo, diariamente, de meninas que praticam ginástica. Sinto-me honrada por poder ser exemplo para tantas delas e estou sempre disposta a ajudar no que eu puder. Sou muito feliz por poder representar a minha cidade, o meu estado e o meu país, pelo mundo afora. Se eu pudesse resumir a minha trajetória até aqui, em uma única frase, eu diria: É uma trajetória abençoada e de muita resistência! No mais, gostaria de agradecer ao jornal GAZETA pela oportunidade e quem quiser acompanhar um pouco mais da minha vida no esporte, deixo o meu instagram (@lalasilverio). Obrigada!” (Texto da REPORTAGEM GP).
A atleta em ginástica rítmica da Seleção Brasileira, Lavínia Silvério, 16: “Representar o meu país sempre foi uma honra, mas eu também sabia da responsabilidade que carregava. A pressão existia, mas, por estar, desde muito nova, em um esporte de alto rendimento, fui aprendendo, com o tempo, a lidar com ela e a controlá-la”