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Ano 42 - Nº 2132
24 de Julho de 2026
Havia entre aqueles endinheirados uma mulher, esposa de um deles, que não partilhava dos mesmos símbolos, valores e das mesmas condições financeiras do grupo. Tornou-se ricaça, ao casar-se, mas a origem, nem de longe tinha algo a ver com aquele grupo. Ao estar com eles, fingia estar acostumada às conversas deles, mas pouca coisa entendia. Claro que em qualquer grupo ou sociedade sempre houve e sempre haverá fronteiras e diferenças. E a dela, há muito tempo, já estava estabelecida. Afinal, após o bom casamento que ela havia feito, ela passou a ter condições materiais, que é fundamental para o pertencimento à alta classe social, mas não era suficiente para que ela fosse reconhecida como parte dela. Diante disso, aquela turma continuava sendo os de dentro, enquanto ela, a de fora. Mas tudo bem camuflado e ninguém tocava nesse assunto. Entretanto, as mulheres ali a beijavam sem encostar os lábios em suas bochechas, a abraçavam sem fazer contato entre os corpos, para demarcar o quão distantes elas são. Naquela noite, os homens endinheirados, entre os raros petiscos e brindes servidos, disputavam a quantidade de colaboradores de suas empresas, a marca e o ano de seus carros, a metragem das casas e apartamentos, a quantidades de idas a Miami/EUA, a valorização das propriedades de cada um no Brasil e no exterior, quem ficou rico mais rápido etc... Já as suas esposas falavam de suas escolhas em torno de suas atividades de lazer, do desempenho dos filhos na escola e, principalmente, das compras feitas por cada uma naquela semana. Após o encontro, de volta pra casa, a nova rica estava entediada, como sempre fica, após esses encontros. Quando o marido, não percebendo o mal-estar que aquele encontro lhe fez, mais uma vez, perguntou pra ela:
- E aí, gostou da noite?
Ela respondeu, entre os dentes:
- Detestei, como sempre! Não dá para ver isso, não?
O marido tentou ponderar:
- Sabe o que eu acho? Que você não faz por onde, para se entrosar com as esposas dos meus amigos. Parece até que tem prazer em manter distância de cada um delas.
Ao ouvir isso, aquela mulher parece até que teve um surto e não economizou nas suas amargas palavras:
- Quer saber? Eu quero que você me esqueça! Ou melhor: eu quero que você morra, está me entendendo?
O marido levou tanto susto com tamanha agressividade, que calou-se.
E você, já se sentiu desprezado(a) por um grupo de gente da alta sociedade?
BOA LEITURA!