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Ano 42 - Nº 2138

04 de Setembro de 2026

2138

“A DISTÂNCIA DA FAMÍLIA E DOS AMIGOS É UM DESAFIO ENORME”

Notícias

09/09/2026
“A DISTÂNCIA DA FAMÍLIA E DOS AMIGOS É UM DESAFIO ENORME”

Deixar para trás a terra natal, a família, os amigos e a rotina, para viver do outro lado do mundo não é uma decisão simples. Há aproximadamente 14.000KM de Minas Gerais, essa nova realidade, a Austrália, traz consigo o desafio de adaptar-se a outra cultura e idioma, além de conquistar espaço no mercado de trabalho, para construir uma nova vida. A reportagem GP conversou com a pará-minense Gabriela Lage, 32, engenheira, filha de Roseli Aparecida Viegas e José Eustáquio Pires Lage, que mora em Perth/Austrália, onde está casada com o irlandês Sean O’Brien. Confira.

“Sou nascida e criada em Pará de Minas, até me mudar para Belo Horizonte, para cursar engenharia, na UFMG. Levava uma vida típica dessa cidade, com muitos amigos com quem eu passava o tempo em encontros em casa ou nos barzinhos. Sempre tive curiosidade de conhecer a Austrália, mas nunca passou pela minha cabeça de morar aqui. Até que muitos colegas da faculdade começaram a mudar pra cá e terem boas oportunidades. Acabei tomando conhecimento de um novo visto, na época chamado Work Holiday Visa, onde eu poderia trabalhar e passear por até 1 ano, com idade limite de 30 anos. Conheci meu esposo muito antes da Austrália, quando eu e ele achamos que seria uma oportunidade única e, em menos de 1 ano, nos organizamos e mudamos pra cá, quando tínhamos 28 anos. Mas era para passarmos só um ano. ⁠Minha família e amigos não ficaram surpresos, pois eu já havia morado na Irlanda e queria conhecer o mundo. Mas, claro, eles ficam ansiosos pra eu voltar pra casa. ⁠A mudança foi bastante rápida e limitamos muito bem o que poderíamos trazer. Na hora de embarcar era muita animação, com a viagem, e curiosidade, com o que viria pela frente. Chegamos a Sidney, em março de 2024. Meu marido veio um mês antes, para começar a organizar tudo. Logo no meu 1º dia fomos para uma área de montanhas chamada Blue Mountains, para nos conectarmos com a natureza e ter um começo mais tranquilo e divertido. Fiquei encantada com o cuidado dos australianos com os parques e florestas. Eles têm uma infraestrutura incrível, com muitas informações, para fazer trilhas. As estradas e ruas bem sinalizadas e bem cuidadas. Nossa 1ª impressão foi de estarmos vivendo um utopia, que era perfeito demais pra ser verdade. Porém, mesmo com o visto de trabalho em mãos, tive dificuldade de conseguir um emprego. Passei alguns meses aplicando para vagas e entrevistas, porque o meu visto era temporário. Estava focada de trabalhar na minha área. Não tive muito retorno, até que tive a ideia de entrar em contato direto com os recrutadores das empresas. Cheguei a enviar e-mails para quase duzentos contatos que eu encontrei na internet e, por sorte, com bastante organização e foco, a minha 1ª oferta veio, com o interesse de me patrocinarem um visto de prazo mais longo. Era a mineradora Alcoa, onde eles estavam procurando engenheiros com a minha experiência. Acabou dando muito certo. Meu trabalho ocupa a maior parte do meu dia, com 1H de viagem para chegar à mineradora, todos os dias. No fim de semana fico bastante focada em atividades ao ar livre - praia no verão e caminhadas no inverno - e atividade física também,” resume Gabriela.

PRINCIPAIS DIFERENÇAS – “* Salários: na Austrália, os salários são melhor distribuídos. As diferenças entre cargos ou nível de educação são bem pequenos. * Saúde: a Austrália também tem um Sistema Único de Saúde, mas o atendimento não é tão atencioso como no Brasil. * Trabalho: os australianos são muito mais tranquilos e só fazem o mínimo requerido, hábito e costume que não consigo me acostumar. * Aqui, eles não vêm problema de andar descalços na rua, no supermercado, no shopping... * Um hábito legal aqui é sair do trabalho mais cedo (às 15H ou 16H) e ir praticar atividades ao ar livre. Onde moro, tem muito surf. * Nunca perguntei o que eles acham dos brasileiros, como eles também nunca me falaram nada, especificamente. Mas não sofri nenhum preconceito. A Austrália é um país multicultural, que recebe imigrantes do mundo todo. Então, eles são abertos a novas culturas. * Os melhores lugares,  imperdíveis mesmo, para quem quer conhecer aqui é Blue Mountains, Whitsundays e dirigir de Sydney a Perth, atravessando o Deserto Nullabor. * A natureza é muito diversa e muito bem cuidada. Você dirige poucas horas e a paisagem é bem diferente. * Os australianos protegem as praias, mantendo vários metros da vegetação natural, antes de acontecerem as construções. * É muito comum ver aqui animais exóticos, mesmo em cidades grandes, como Sidney, que têm morcegos pertinho da Ópera; cacatuas (parentes de papagaios, só que brancos e com crista grande) aos montes; golfinhos e baleias visíveis nas praias e, infelizmente, tubarões. O país tem a maior população de camelos selvagens do mundo. * Cangurus, então, nem se fala. Vejo bastante no caminho do trabalho, principalmente ao amanhecer! Vemos nas estradas, em parques e fazendas. Mas temos de ter cuidado, pois eles são atraídos por faróis de carros e costumam pular na frente. * A Austrália não tem uma culinária típica, já que a comida é muito influenciada pela culinária inglesa e asiática. Não comi ainda nada que fosse genuinamente australiano. A comida não é muito saborosa. Todos os pratos brasileiros, como o arroz com feijão, me fazem faltam.”

ALGO MAIS? – “As maiores dificuldades de morar longe são quando perdemos eventos importantes da família, como Natal ou quando alguém fala que está com muita saudade. Quando visitamos a família, no fim de 2025, foi um momento que quisemos voltar a morar no Brasil... Porém, as facilidades do país e as belezas naturais facilitaram muito a nossa adaptação. ⁠* A distância da família e dos amigos é um desafio enorme! As facilidades da Austrália não pagam a falta que eles nos fazem. * Além das diferenças culturais que dificultam o sentimento de pertencimento, é difícil ser nós mesmos. * O que mais sinto saudade de Pará de Minas é da família e amigos! Tento ir todos os anos e quando vou visito um por um. * O momento mais difícil de toda a nossa trajetória, ⁠com certeza, são as despedidas, depois de visitar a família. * Para quem sonha morar no exterior, nada é para sempre! Se tem esse sonho, se organize e vá! Mesmo se arrepender, vai ter vivido uma experiência única, tendo aberto a mente e aprendido coisas novas. O Brasil vai estar de braços abertos, quando quiser voltar...”

A engenheira pará-minense Gabriela Lage e seu marido irlandês, Sean O’Brien, que hoje vivem em Perth/Austrália: “O momento mais difícil de toda a nossa trajetória, ⁠com certeza, são as despedidas, depois de visitar a família...”


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