Alcance, credibilidade e imparcialidade,
desde 1984
Ano 42 - Nº 2041
25 de Setembro de 2026
Não existe nada mais divertido e preconceituoso do que estar em uma roda de ricos tradicionais, quando eles começam a falar mal dos novos ricos. Condição financeira ambos têm, mas há diferenças gritantes entre eles, principalmente quando os primeiros começam a apontar falhas dos segundos. Sentado entre os ricaços e não pertencendo nem à uma turma, nem à outra, mas sendo simplesmente o que sou - um jornalista - ouvi ali coisas do arco da velha. Disse uma senhora elegante e cheirosa, ao ver chegar àquele espaço uma mulher extravagante, com roupa muito colada ao corpo, exibindo os seus ões: peitões, coxões, brações, pernões, bundões e corpões:
- Meu Deus! Tem gente que não aprende que menos é mais, não é mesmo?
O empresário de grande sucesso no ramo de imóveis completou:
- Está aí uma coisa que eles não entendem mesmo! Para eles, mais é que é mais! Por sinal, odeiam quando a gente afirma que menos é mais, sabia?
A empresária chique, até mandar parar, acrescentou:
- Gostam tanto do mais que entre eles tudo é postiço! O que eles acham chique é poder comprar tudo que eles nunca podiam comprar, antes. As unhas são postiças; o cabelo é mega hair; os peitos e bocas, Jesus, puro silicone; os olhos azuis são lentes e ainda acham que ninguém percebe; o bumbum é simplesmente calcinha com enchimento, quando não verdadeiro implante. E os dentes e narizes? Haja lentes e implantes! Pagam fábulas de dinheiro para se transformar em verdadeiros bebês reborn.
O cirurgião plástico, um pouco incomodado com o assunto que tem a ver diretamente com área em que ele atua, tentou levar a conversas para um outro lado:
- Se eles moravam de aluguel, pagam os atrasos e adquirem casas para eles e para os seus pais; quitam, correndo, dívidas antigas, matam o longo financiamento de carro ou imóvel, limpam seus nomes e de seus familiares que continuam pobres, do Serasa; matriculam seus filhos em escolas particulares; contratam planos de saúde para eles e os parentes mais próximos; pagam curso de inglês para a família e alguns sobrinhos; reformam a casa de parentes; constroem big casas em condomínios fechados e por aí vai...
A mulher mais idosa da roda, ouviu tudo e, depois, deu um longo suspiro, dizendo:
- Morro de preguiça dessa gentalha!!! (riso geral).
E você, sabe distinguir um rico de tradição de um rico emergente?
UMA BOA LEITURA!