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desde 1984
Ano 42 - Nº 2143
09 de Outubro de 2026
O grito que não faz barulho. A vida precisa ser cuidada, antes da crise.
Em meio a índices alarmantes de suicídio, a prática clínica diária comprova: ninguém quer abreviar a existência, mas sim cessar um sofrimento que se tornou solitário e insuportável. Vivemos tempos de conexões imediatas e isolamentos profundos. A cada estatística divulgada sobre os crescentes índices de suicídio no Brasil e no mundo, a sociedade costuma reagir com espanto. No entanto, o gesto extremo não nasce de repente: ele é o desfecho doloroso de um longo processo de silenciamento, exaustão emocional e invisibilidade da própria dor. Com 4 anos de atendimento clínico diário, acompanhando pessoas de diferentes idades e realidades, uma constatação se impõe de maneira inegociável: ninguém deseja, em essência, acabar com a própria vida. O que a pessoa busca, com todas as suas forças já esgotadas, é silenciar um sofrimento psíquico que ultrapassou a capacidade de suporte individual.
O QUE FAZER? - O sofrimento agudo é previsível e tratável, quando acolhido nas fases iniciais. A cultura da produtividade tóxica e da felicidade compulsória nas redes cobra um pedágio desumano. Criou-se a ilusão de que a angústia, o cansaço e a tristeza são defeitos a serem escondidos. Quem sofre passa a crer que sua dor é incômodo para os outros, fechando-se em uma espiral de isolamento que potencializa o desespero. Valorizar a vida não é apenas evitar um desfecho trágico; é construir diariamente motivos palpáveis e redes de acolhimento para que valha a pena continuar. É urgente superar a ideia de que a valorização da vida deve ser lembrada apenas em campanhas sazonais. Cuidar da vida é uma postura contínua que exige ações práticas em nosso círculo de convivência. Senão vejamos: 1) Validação sem julgamento: substituir o conselho apressado ou a cobrança por uma escuta genuína. Acolher a fala, sem diminuir a dor do outro salva vidas. 2) Percepção precoce de sinais: alterações drásticas de humor, isolamento repentino, sensação de inutilidade e frases de despedida exigem aproximação, não afastamento. 3) Suporte profissional regular: a psicoterapia não é para momentos de desespero iminente; é o espaço ético para reorganizar afetos, ressignificar traumas e devolver perspectiva ao futuro. Nenhuma dor precisa ser enfrentada na solidão. A valorização da vida começa no momento em que decidimos enxergar o sofrimento humano com compaixão, responsabilidade coletiva e compromisso técnico com a saúde integral. Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio emocional, não hesite em procurar ajuda especializada. Ligue 188 CVV, gratuito durante 24h.
GABRIEL DE ALMEIDA FARIA SANTOS: Psicólogo clínico (CRP-04/69498). Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. 4 anos de atuação clínica e acolhimento. Atendimento presencial, na rua São José, 280, Edifício Diamond Work Center, sala 1013. (37) 9 9124-7043 @psigabrielalmeida www.psicologogabrielsantos.com