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Ano 42 - Nº 2144

16 de Outubro de 2026

2144

A ORIGEM SIMPLES PODE ESTAR TAMBÉM ENTRE OS ARROGANTES

Colunista

19/10/2026
A ORIGEM SIMPLES PODE ESTAR TAMBÉM ENTRE OS ARROGANTES

Na sala de aula da conhecida universidade, durante a 1ª aula de história daquele semestre, os alunos se apresentavam, ficando de pé e falando algo que definisse bem a sua origem familiar. A aluna da 1ª fileira foi indicada pelo professor petista a começar a falar. Um pouco acanhada, ela levantou-se e disse:

- Sou de família bem pobre, nascida na periferia da cidade, onde ainda moro e só eu estou aqui, porque fui escolhida, na escola estadual onde eu estudava, por uma escola particular. Ganhei, assim, uma bolsa de estudo integral e me formei ali, no ensino médio. Então, estar aqui é realizar um sonho de toda a minha família, já que não há ninguém formado na minha casa. Serei a 1ª, com muito orgulho!

O professor puxou os aplausos. O próximo a se apresentar foi um rapaz, visivelmente, de uma classe social mais elevada. Disse ele:

- Diferentemente da fulana, eu nunca tive dificuldade financeira para chegar até aqui. Sou descendente de italianos, com passaporte.

O professor não puxou aplausos e não perdeu a oportunidade de exibir os seus conhecimentos anticapitalistas. Falou assim:

- Vocês sabiam que os brasileiros descendentes de italianos cresceram, desde o fim da pandemia, em 35%, em busca de vínculo com esse país? Eles tentam provar, com certidões de nascimento e outros documentos, que são parentes diretos do 1º aventureiro italiano no Brasil, sem, sequer, falar italiano ou, pelo menos, conhecer a verdadeira história da emigração dos italianos. Então, vou contar para vocês a verdadeira história de mais de um milhão e quatrocentos mil italianos que vieram para o Brasil em 3 de janeiro de 1874, partindo do Porto de Gênova, a bordo do navio La Sofia, rumo ao estado do Espirito Santo, em busca de uma vida melhor, nas fazendas de café do nosso país. Ou seja, eles não fizeram aquelas viagens por paixão aos trópicos. Saíram de lá, por causa da calamidade climática, instabilidade política e até fome de uma Itália recém-unificada. Sem perspectivas, a ralé italiana se meteu nos navios, para substituir a mão de obra dos negros escravizados no Brasil. Assumiram barracões para morar e viraram empregados de patrões acostumados a mandar com o açoite. Isso, os italianos com passaporte não sabem... Talvez - e é bem provável- nem sabem que eles também vieram da periferia como a fulana.

E você, gostou da crônica de hoje, baseada em algo que li do antropólogo Michel Alcofarado?

UMA BOA LEITURA!