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Ano 42 - Nº 2136

21 de Agosto de 2026

2136

“QUANDO OUVI QUE HAVIA UMA LESÃO NO CÉREBRO DELA, MEU MUNDO DESABOU”

Notícias

26/08/2026
“QUANDO OUVI QUE HAVIA UMA LESÃO NO CÉREBRO DELA, MEU MUNDO DESABOU”

A reportagem GP conversou com Viviane Pereira Martins, 34, solteira, residentes no bairro Nossa Senhora das Graças. Ela precisou deixar o trabalho, para se dedicar, em tempo integral, à sua filha Helena Pereira Queiroz, 3, diagnosticada com tumor cerebral, em maio de 2025, quando tinha 2 anos. Ao fazer a cirurgia de retirada parcial do tumor, aconteceram complicações graves, quando ela ficou 23 dias entubada, evoluindo para traqueostomia e perdendo a sua autonomia de falar e andar. Viviane contou tudo que ela viveu e vive, para recuperar a filhinha. Não deixe de ler.

“A Helena era uma criança alegre, inteligente, esperta, educada, amorosa e muito carinhosa. Adorava brincar, conversar e se interagir com as pessoas. Porém, ao completar 2 anos, ela começou a recusar a alimentação em casa e também na escolinha. Também não queria mamar e passou a reclamar de dores de cabeça, apresentando episódios de vômitos, irritação, sonolência excessiva e falta de apetite. Foi um caminho muito difícil. Aí, a levamos a vários médicos, fizemos diversos exames, porém não dava nada e ela continuava perdendo peso. Ninguém conseguia explicar o que estava acontecendo. Com os episódios frequentes de vômitos, ela acabou desenvolvendo um quadro de desidratação e precisou ser levada para a Upa daqui, para receber hidratação venosa. De madrugada, recebeu alta, mas quando chegamos em casa, ela começou a gritar que estava com dor de cabeça. Aí, o pai da Helena, João Néviton Faria Queiroz, 40, autônomo, voltou com ela, imediatamente, para a Upa, onde os médicos levantaram a suspeita de meningite e a deixaram em observação. Diante da gravidade da situação, decidimos levá-la para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde os médicos descartaram a meningite e solicitaram uma tomografia computadorizada de urgência. Foi nesse exame que descobriram a lesão cerebral. Mas as médicas não quiseram me contar, de imediato, o que estava acontecendo. Apenas disseram que era algo grave e que um neurologista conversaria comigo. Quando ouvi que havia uma lesão no cérebro dela, meu mundo desabou... Eu e o pai dela chorávamos sem parar. Não conseguíamos entender por que aquilo estava acontecendo com uma criança tão pequena e inocente. Foi ali, no dia 17 de maio do ano passado, que começou o nosso pesadelo, porque ela frequentava a creche, desde os 4 meses. Após o diagnóstico e o início do tratamento oncológico, ela precisou interromper completamente a rotina escolar e não voltou mais para a escola. Isso, porque, antes de retornar às aulas, ela precisa recuperar habilidades importantes para sua autonomia,” explica a mãe, com tristeza. 


“DISSERAM QUE SERIA UMA CIRURGIA COMPLEXA, COM ALTO RISCO DE MORTE E COM SEQUELAS...”

ELA FOI OPERADA? - “Do Hospital João XXIII ela foi transferida para a Santa Casa, onde ela passou por exames e avaliações, durante uma semana. Aí, a cirurgia foi marcada, quando os médicos disseram que seria uma cirurgia complexa, com alto risco de morte e com sequelas, inclusive de perda da visão, devido à proximidade ao nervo óptico. A cirurgia durou mais de 9 horas, quando ela precisou tomar duas bolsas de sangue. Foi um dos momentos mais difíceis que vivemos. Houve, então, a cirurgia para a retirada do tumor, mas, infelizmente, não foi possível remover toda a lesão. Após, ela foi para o CTI, sedada e intubada, onde ela teve diversas convulsões, precisou utilizar um dreno cerebral, para controlar o excesso de líquor. Demorou muito para despertar. Também sofreu uma isquemia e apresentou sangramento cerebral. Foi uma recuperação extremamente delicada e cheia de incertezas. Fora isso, depois, a Helena desenvolveu diversas complicações, como o diabetes insipidus, além de não produzir mais cortisol, precisando fazer uso diário de corticoide. Aí, começou a quimioterapia, que duraria 2 anos e meio, mas ela realizou seis sessões, reagiu muito mal e, frequentemente, precisava de internações em CTI. Interromperam o tratamento quimioterápico e passaram a acompanhar a lesão, por meio de ressonâncias periódicas. Assim, o tumor permaneceu estável, sem necessidade de novos tratamentos oncológicos. Agora, a Helena usa traqueostomia e gastrostomia, mas ela consegue se alimentar pela boca, o que é uma grande vitória. Permanece sem falar e sem andar, precisa de ajuda para alimentação, higiene, troca de fraldas, administração de medicamentos, aspiração da traqueostomia e hidratação pela gastrostomia. Apesar disso, demonstra potencial para recuperação. Tem acompanhamento médico contínuo e faz fisioterapia respiratória duas vezes por semana e fisioterapia motora uma vez, pelo Sus. Também necessita de acompanhamento com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapia intensiva especializada. Os avanços são muito significativos. Quando ela saiu do CTI, não conseguia se sentar, controlar a cabeça ou movimentar o corpo, adequadamente. Agora, ela já consegue permanecer sentada, tem bom controle de tronco e cabeça e movimenta todos os membros. Em uma clínica especializada em reabilitação neurológica, em Belo Horizonte, os profissionais que a avaliaram acreditam que Helena tem potencial para voltar a andar e conquistar mais independência. Então, o próximo passo é iniciar um tratamento intensivo de reabilitação. Essa situação mudou absolutamente tudo na nossa rotina, nada ficou como era antes. Fiquei cerca de 70 dias internada com ela, juntamente com o pai dela. Eu trabalhava como auxiliar administrativa, mas precisei deixar meu emprego para cuidar dela, em tempo integral.”

MUITOS GASTOS? - “Os gastos incluem fraldas especiais, medicamentos, fórmulas alimentares, consultas, deslocamentos, exames, materiais para traqueostomia e gastrostomia, além dos custos relacionados à reabilitação intensiva. Todo o tratamento médico, cirurgias, internações e quimioterapias foram realizados pelo Sus que oferece parte do atendimento, mas não disponibiliza a intensidade e a estrutura necessárias para a reabilitação neurológica da Helena. E ela precisa de terapias especializadas e intensivas, com equipamentos específicos que não estão disponíveis em Pará de Minas. Para continuar a recuperação ela precisa de um programa intensivo de reabilitação multidisciplinar, envolvendo fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e tecnologias especializadas para estimulação neurológica. Após recebermos o orçamento da clínica especializada, percebemos que não conseguimos arcar sozinhos com os custos. Aí, criamos uma campanha nas redes sociais para pedir ajuda, por meio de uma Vaquinha Solidária. Também participamos de ações beneficentes, promovidas por pessoas que abraçaram essa nossa causa e a resposta das pessoas tem sido emocionante. Recebemos muito carinho, apoio, orações, compartilhamentos e doações, mas precisamos de mais recursos, para a continuidade da reabilitação e para os diversos custos permanentes. Neste momento, estamos realizando a rifa de uma joia no valor de R$20,00 cada número. Ela é divulgada, principalmente, pelo Instagram @guerreira_lele, onde compartilhamos sua evolução, desafios e conquistas. A prioridade é garantir esse tratamento intensivo, pelos próximos 6 meses.”

ALGO MAIS? – “Nosso maior sonho é ver nossa filha saudável, feliz, voltando a andar, falar, brincar e frequentar a escola, novamente. A Helena é uma guerreira, pois enfrenta desafios enormes todos os dias com uma força que nos inspira. Agradecemos cada oração, cada compartilhamento e cada ajuda recebida. Temos fé de que vamos vencer esta luta juntos!” 

* Quer e pode ajudar Helena? Pix: 10779976630, em nome da mãe.

Viviane Martins, que precisou deixar o emprego, para se dedicar, em tempo integral, à sua filha, Helena, e o pai da criança, João Néviton Queiroz, antes (E) e depois (D): “Não conseguíamos entender por que aquilo estava acontecendo com uma criança tão pequena e inocente”

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